Maisfutebol
7 octobre 2026
Dos oito pontos que Jorge Jesus deveria ter seguido na conferência de imprensa de antevisão à Dinamarca, segundo o comunicado de Cristiano Ronaldo, cerca de metade foram referidos pelo técnico na sala de imprensa.
Mas nenhum deles 'à risca', usando a liberdade expressiva que lhe associamos. Referiu o «plano» para a gestão do avançado, em que CR7 não jogaria os dois jogos fora de Portugal, plano de utilização esse que foi «aceite» pelo jogador.
A referência a Pelé e Maradona para justificar o enfado de Ronaldo com o facto de ter passado tanto tempo a aquecer sem entrar em jogo também foi incluída pelo treinador nas respostas aos jornalistas. E também admitiu ter errado aí, tal como o documento previa.
Mas, a partir daí, Jesus não referiu nenhuma das orientações do documento «validado» por Cristiano Ronaldo e que se produziu após uma reunião entre JJ, Simão Coutinho (diretor-desportivo do Al Nassr) e Tiago Craveiro (ex-CEO da FPF e atual administrador de empresas do grupo CR7).
Jorge Jesus não referiu a «influência positiva» de Ronaldo na Seleção, nem disse que este «nunca tinha questionado» as suas decisões, classificando-o como «exemplar, leal e profissional». Nenhum desses adjetivos foi usado.
Nem sequer disse que «queria muito» Ronaldo na Seleção, nem justificou a saída repentina de Ronaldo do estádio na Dinamarca. «Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal» - também não há registo.
Em vez de um ato de contrição, Jesus afirmou a sua autoridade: «Não vai haver um jogador que vá mudar as minhas ideias», exclamou.
Orientação de Ronaldo: 1. Propus ao Cristiano eu mesmo, sem mais ninguém, um plano para ele, esta época desportiva, na Seleção Nacional. Foi uma conversa demorada e muito boa.
Declaração de Jesus: «Foi um plano, disse ao Cris que não ia jogar nos dois primeiros jogos [fora de Portugal] e pensei, durante o jogo, se calhar vou precisar dele, vai aquecer. Depois não pus no jogo.»
2. Sei o quanto ele vive e Ama a Seleção e o peso que tem no Mundo, mais ainda, o peso e a influência positiva que tem na Seleção há 24 anos consecutivos.
3. O plano que propus ao Cristiano foi aceite.
Jorge Jesus: - «Aquilo que falámos foi sobre aquilo que ele disse no primeiro dia na nossa conferência de imprensa. Ele disse, “míster, estou aqui para tu decidires. Se queres que eu jogue, eu jogo. Se queres que não jogue, eu não jogo. Se quer que eu vá para a bancada, eu vou para a bancada”. Foi esta a nossa conversa.»
4. Ele nunca questionou as minhas opções. Foi exemplar, leal e profissional.
Jorge Jesus: «Ele nunca se negou a nada.»
5. Do plano que tracei para ele não constava o jogo da Noruega. No entanto, senti que ele tinha conseguido recuperar fisicamente do primeiro jogo e avisei-o que poderia ter de o utilizar. O Cristiano concordou.
Jorge Jesus: «O que eu prometi? Disse-lhe que não o ia lançar no jogo, mas disse-lhe, “Cris, se eu precisar de ti, vais jogar 20 ou 30 minutos”. E ele disse, “míster, se quiser, tudo bem”.»
6. Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria.
Jorge Jesus: «Qualquer jogador que vá aquecer, 20/30 minutos, depois não entra, não há nenhum que fique contente. Nenhum! Quanto mais o Cris, que tem estatuto. Quanto mais se fosse o Pelé! Quanto mais se fosse o Maradona! Aquecer trinta minutos? É isso o estatuto, mas os direitos são iguais. (...) Chegou o jogo, mandei-o aquecer, porque ainda não sabia. Aqui é que fiz mal. Devia-o ter mandado aquecer quinze mais tarde. Não sabia o que ia acontecer, mas não precisei dele e não o pus.»
7. Para encerrar o assunto: Eu quero o Cristiano na Seleção Nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui também.
8. Sobre não ter cumprimentado os adeptos. Já falámos sobre isso. Quem faz mais de 230 jogos pela Seleção não recebe de mim lições de Amor a Portugal. Foi um momento de frustração que não apaga coisa nenhuma. É o jogador que mais autógrafos dá, que mais selfies tira, que mais acarinha os adeptos. Não inventemos problemas onde eles não existem. Quando não estamos contentes reagimos. Foi só isso.”
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